Metamorfoses Intelectuais

Abril 25 2009

 

Finalmente, e após assistir à conferência dedicada ao 25 de Abril intitulada 25 de Abril: evolução na continuidade? onde estiveram presentes o Dr. Mário Soares, a Dra. Odete Santos e o Prof. Dr. Adriano Moreira, venho então expor cuidadosamente as minhas interpretações de tal conferência.

A conferência em si, proporcionou diversos pontos de vista e assuntos que criam várias celeumas. Em relação à participação de Odete Santos, inicialmente esperei uma exposição extremamente virada para a ideologia do PCP. Tal não aconteceu, numa primeira fase, onde durante o tempo que dispôs da oratória, encarnou de facto aquilo que era (e continua a ser) o sentimento de repressão vivenciado na altura.

Em relação ao Prof. Adriano Moreira, expôs de facto magistralmente aquilo que o 25 de Abril criou em termos de sentido de Estado: uma total falta de definição de uma estratégia de acção externa, da contínua dependência de Portugal para se impor em conjunto com os seus pares europeus, e da necessidade da União Europeia para se impor no mundo.

Em relação ao Dr. Mário Soares, resta tecer algumas considerações. O facto de as pessoas se puderem levantar e sair da sala de conferências, creio ser um direito inerente a cada um de nós conseguido com o 25 de Abril, contudo tal facto pareceu ter indignado Mário Soares, um dos defensores da liberdade de expressão e considerado por muitos um dos arautos do 25 de Abril.

Em relação a oratória de Mário Soares há de facto dois momentos distintos. Na primeira parte assistimos a um político extremamente narcisista e demasiado centrado no seu umbigo, onde centrou toda a oratória na sua própria pessoa. E aqui tenho que lembrar, que quer se goste quer não, a recepção de Álvaro Cunhal foi de facto a mais preenchida das do 25 de Abril. Na altura o protagonismo de Álvaro Cunhal, suplantava em muito o de Mário Soares. Na segunda parte assistimos a um Mário Soares, que recordando-se que se encontrava numa escola de Ciência Política e Relações Internacionais, obteve um momento de lucidez em análise política, e finalmente virou o discurso mais para os factos do que para as “suas proezas”. Contudo creio ser de grande indecência o lançar de uma picardia por parte de Mário Soares em relação à Dra. Odete Santos no que respeita a ideologias partidárias, coisa que Odete Santos em todo o seu discurso até àquele momento, brilhantemente nunca tinha realizado em todo o discurso.

Existiu de facto um ponto curioso. Interpelados por um aluno sobre o facto de não ter existido fascismo de facto em Portugal, eis que os ânimos se exaltaram. Quer Mário Soares, quer Odete Santos, num acto intempestivo, depressa interromperam o aluno – num acto a meu ver pouco próprio de defensores da liberdade de expressão – para afirmar que o próprio se encontrava enganado. Como seria de esperar Odete Santos não recuou na sua indignação. Mário Soares teve então um acto de lucidez, e como se redimindo admitiu que de facto, e estando numa escola de Ciência Política e Relações Internacionais, e segundo os trâmites destas ciências, o Estado Novo não foi um Estado Fascista, pois não possuía na sua totalidade nem as características do Fascismo Italiano, nem do semi-fascismo Espanhol – de facto os únicos países que verdadeiramente possuíram regimes fascistas na história foram a Itália, Grécia e Roménia. Contudo Mário Soares, de afirmou sempre que do ponto de vista de efectivação política a acção politica praticada por Salazar era fascista.

Ora se de acordo com a ciência, o Estado Novo não era um regime fascista, então de facto, e não sua acção também não agiu como um regime fascista. O que o Estado Novo era em termos de regime, resumia-se a um totalitarismo e nada mais. Não obstante tenha introduzido conceitos de regimes fascistas, sendo o  Corporativismo português uma cópia do modelo italiano.

 Para última análise, convém dirimir algumas questões sobre a tão aclamada liberdade conquistada com o 25 de Abril. Na verdade continuamos neste preciso momento com as liberdades restringidas, mais agora que nunca. Se numa primeira fase, após o 25 de Novembro de 1975, as liberdades foram garantidas, actualmente elas encontram-se esbatidas por uma série de razões.

Se durante o Estado Novo havia uma restrição plena da Liberdade, pelo menos a sua restrição era visível e oficial. Actualmente a restrição das liberdades e garantias de cada um de nós, encontra-se restringida de uma forma mais perniciosa e perigosa para o futuro, onde o controlo dos meios de comunicação social, permitem criar uma sistema de pensamento político dominante e que quem procura fugir ou afrontar esse sistema, depressa é colocado fora do regime democrático e julgado por injúrias e ofensas ao Estado de Direito, através de uma limpeza mental dos cidadãos, através de um controlo e influência brilhante, que quem tem o Poder exerce sobre os media, esses meios cada vez mais destruidores de um pensamento cívico heterogéneo e saudável em Demokratia.

Existe um outro factor que actualmente cria focos de restrição às liberdades e garantias e também ao processo democrático. Esse factor denomina-se securitização: conceito que tem permitido que tudo se torne num assunto de segurança nacional e internacional, pois segundo Barry Buzan e Ole Waever, este mais não é do que um acto de discurso, e ao sê-lo tudo é passível de ser securitizado.

 

Ora nos dias que correm, isto ainda é mais verdade. Numa actualidade onde impera o terrorismo, a falência do sistema económico, a ansiedade dos cidadãos perante o futuro, o discurso da securitização tem mais relevo. A ênfase dada através dos media aos assaltos, às violações e anseios da população, permite internamente que os governos que controlam os Estados, consigam restringir e suspender as liberdades e garantias, em nome do Estado de Direito Democrático.

A própria economia passou a ser securitizada, com Estado a restringir o normal funcionamento dos mercados, de modo a chamar a si a regulação dos mercados financeiros. As próprias empresas passaram a utilizar a securitização, uma lógica de “despedimentos hoje, de modo a estarem seguras amanhã”. A nível da União Europeia assistimos a uma securitização das migrações – consideradas a génese de todos os problemas sociais – patente da adopção de politicas de insegurança, bem expressas por Jeff Huysmans, e visíveis no controlo das fronteiras externas.

Todo este discurso de securitização, permite ao Estado, accionar o mecanismo de Estado de Emergência, que mais não é do que o funcionamento de um Estado Totalitário em nome de um Estado Democrático.

Ora com tudo isto, creio que o dia de hoje se torna um Parodoxo: festejamos hoje a Liberdade, numa altura em que as nossas liberdades estão cada mais suspensas, muito por culpa nossa, pela culpa de não sermos capazes de enfrentar o futuro com trabalho, mas deixarmo-nos cair nos anseios da insegurança e de assim deixarmos a nossa governação pessoal nas mãos de outros.


Dezembro 14 2008

 

Irei neste post colocar umas citações bastante interessantes, de momentos de reflexão de um dos maiores génios da história, Napoleão Buonaparte, retiradas da obra "Napoleão" de Emil Ludwig.

- Os homens de génio são meteoros destinados a queimarem-se, para iluminar o século em que vivem.

 - A vida é um sonho alegre que se dissipa...


- Eu não lhe peço a definição do amor; outrora, fui amoroso e restam-me bastantes recordações para não ter necesidade dessas definições metafísicas, que só concorrem para complicar as coisas. É dizer mais do que negar-lhe a existência. Julgo-o nocivo à sociedade, à felicidade individual dos homens; enfim, creio que o amor faz mais mal do que bem e que seria um benefício se uma divindade protectora nos livrasse dele e libertasse o mundo.

 

 - Em mim, há dois homens diferentes...o homem de cérebro e o homem de coração.

publicado por AMJFernandes às 20:02

Dezembro 14 2008

    A ignorância dos povos acerca da verdadeira extensão de seus direitos e obrigações é sem dúvida o principal esteio dos governos absolutos ou despóticos. Se eles fossem assaz iluminados e conhecessem bem as obrigaçõesa que se ligaram entrando em sociedade; bem como os direitos que se reservaram, e dirigissem todos os seus actos segundos uns e outros, não permitindo a sua infracção no mais leve ponto, certamente não estariam expostos às usurpações e vexames que todos os dias estão sofredno; os seus interesses não seriam desatendidos, e a segurança e bem da sociedade, que é o seu único fim, seria completamente conseguido.

    O homem social, qualquer que seja a hierarquia ou lugar que ocupa na sociedade, principiando pela Cabana até subir ao Trono, está sujeito a certos deveres, dos quais uns são gerais a todos os membros da sociedade, e outros são privativos de certas pessoas segundo a sua condição, ao mesmo tempo que também goza de certos direitos, que são já comuns, já privativos segundo a sua situação. Estas obrigações e direitos tendo por fundamento o direito natural combinado com o bem da sociedade, segundo o qual são regulados, devem ser observados com toda a exactidão; sem o que aquele não pode ser conseguido.

    Entretanto a preponderância de certas pessoas sobre outras nascidas já da sua superioridade de talento ou instrução, já da sua situação mais elevada da sociedade, & c., tem feito ganhar ascendência sobre os povos, a qual com o andar dos tempos tem degenerado em intrusões sobre os seus direitos, ou para melhor dizer, em despotismo; donde têm resultado os privilégios, as isenções e outros destrutivos da igualdade bem regulada. 

 

 

Isto é um excerto retirado da nota de tradução da obra "Ensaio sobre a Verdadeira Origem, Extensão e Fim do Governo Civil" de John Locke, tradução esta de 1833 por João Oliveira de Carvalho, e que se encontra presente através das Edições 70.

Creio que este excerto nos ilucida bastante sobre aquilo que deve ser o governo bem como a necessidade de existiram governados elucidados sobre os seus direitos e garantias e deveres.

publicado por AMJFernandes às 14:31

Dezembro 14 2008

 

 

 

Embora tenha nascido citadino, tenho muito de rural, onde me orgulho das minhas raízes e heranças culturais beirãs, mais precisamente da Beira Baixa. Herança essa que de certo facto molda aquilo que sou hoje e o meu sentido de orgulho.

Por esse mesmo facto deixo aqui imagens de um local que se chama Faval, na freguesia de Sobral, Concelho de Oleiros.

 

publicado por AMJFernandes às 14:04

Dezembro 14 2008

Após já ter tido alguma experiências enquanto Blogger eis que de novo me interesso por tal actividade lúdica.

Este blog será como tantos outros, onde descorrerei pensamentos, ideologias, coisas abstractas e algumas pitadas de humor, onde todos serão convidados a prestarem o seu contributo como forma de comentários, desde que possuam algum bom senso na escrita das palavras, sem com isto querer afirmar que serei algum censor do que aqui poderá ou não ser comentado.

Como o mestre Agostinha da Silva afirmava tantas vezes "Eu tenho a total liberdade de fazer e de dizer o que bem entender até me encontrar com a liberdade do outro".

Sejam bem vindos todos os que quiserem entrar neste espaço.

 

Com os melhores cumprimentos.

 

publicado por AMJFernandes às 12:44

Este espaço dedica-se exclusivamente a pensar livremente, onde as restrições são as aplicáveis ao bom senso.
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